Talvez o verdadeiro luxo nunca tenha sido aquilo que a gente aprendeu a chamar de chique.

Esses dias entrei em uma trend que está circulando por aí: “Eu acho chique quando...” e achei engraçado porque, enquanto pensava no que eu colocaria no vídeo, percebi que quase tudo ali já fazia parte da nossa vida muito antes de virar tendência.

Eu acho chique quando a floresta continua sua história dentro de casa,

Quando a gente sabe de onde veio uma peça, quem fez e por que ela existe,

Quando tem madeira de verdade, trabalho artesanal, café passado e uma mesa onde sempre cabe mais um,

Quando uma casa é bonita, mas também é vivida.

O nosso jeito de viver

Eu e o Sergio sempre fomos assim (e estamos juntos há 25 anos). Nunca fomos muito preocupados em parecer alguma coisa para os outros, nossa casa sempre foi simples, acolhedora e cheia de vida. Gostamos de receber família e amigos, de ficar perto da natureza, de aproveitar o tempo e de criar nossos filhos valorizando as coisas que realmente importam.

Vivemos no sítio da nossa família, temos animais, horta, frutas que se colhem no pé e uma relação muito próxima com a natureza.

Eu continuo sem maquiagem na maior parte dos dias, sem esmalte nas unhas e sem muita preocupação em seguir a moda, não é uma escolha estética, é simplesmente o jeito que sempre vivi.

Nunca sentimos necessidade de mostrar uma vida bonita, preferimos viver uma vida boa e, de certa forma, a Da Mata nasceu desse mesmo jeito.

O nosso “luxo” também aparece nas pequenas escolhas

Quando criamos, por exemplo, o refil para nossas velas, a ideia não era apenas vender uma vela de um jeito diferente, sentimos a necessidade de desenvolver esse produtro porque muita gente não acendia nossas velas porque tinham pena de vê-la acabar.

Mas a gente queria justamente o contrário: que ela fosse acesa, que a pessoa aproveitasse aquela luz, recebesse os amigos, jantasse à mesa, tomasse um vinho, lesse um livro na companhia dela.

Para nós, isso também é luxo: usar, desfrutar e dar continuidade às coisas, em vez de guardá-las para uma ocasião especial.

Talvez por isso tudo esteja mudando

Nos últimos anos, conceitos como luxo silencioso, materiais naturais, artesanato, atemporalidade e design biofílico ganharam espaço na arquitetura e nos interiores.

A pandemia ajudou a acelerar essa mudança. Quando fomos obrigados a permanecer dentro de casa, começamos a perceber que nossos ambientes não eram apenas lugares para dormir e sair no dia seguinte, eles precisavam nos acolher, funcionar para a vida que acontecia ali.

E, depois de passar tanto tempo dentro de casa, muita gente também percebeu o quanto sentia falta da natureza.

Não é tão estranho assim...

O ser humano passou a maior parte da sua história em contato direto com ela, existe uma ligação profunda entre nós e o mundo natural, e pesquisas sobre design biofílico vêm encontrando associações entre a presença de elementos naturais e diferentes aspectos do bem-estar.

Talvez seja por isso que hoje vemos cada vez mais madeira, plantas, luz natural, pedras, fibras, formas orgânicas e outros elementos naturais entrando nos projetos — especialmente importantes em ambientes urbanos, onde esse contato muitas vezes é escasso.

Mas nós não descobrimos isso agora

É justamente aí que essa história fica interessante para mim, hoje existe um nome para muitas dessas coisas:

Luxo silencioso

Design biofílico

Slow living

Mas nós já vivíamos assim, e é isso que tentamos colocar na Da Mata:

Madeira que pode mostrar suas marcas,

Peças feitas à mão,

Materiais que envelhecem bem,

Objetos que não precisam estar ali apenas para serem admirados, mas para fazer parte da vida,

Uma lareira para acender,

Uma vela para usar,

Uma mesa para reunir pessoas,

Uma casa onde você pode tirar os sapatos, sentar no sofá e simplesmente ficar.

Então, o que eu acho chique?

Depois de pelo menos 25 anos vivendo desse jeito, fico feliz em perceber que aquilo que sempre fez sentido para nós também está sendo valorizado por tantas pessoas e pela própria arquitetura.

Mas eu não chamaria isso de luxo, para mim, é simplesmente viver bem!

É ter tempo,

É estar perto da natureza,

É saber de onde veio o que está dentro da nossa casa,

É valorizar quem fez,

É receber sem precisar de ocasião,

É comprar menos e escolher melhor,

É criar filhos que saibam valorizar o que veio antes deles,

É ter uma casa que não precisa impressionar ninguém,

Precisa apenas fazer sentido para quem vive nela.

Talvez seja por isso que eu tenha gostado tanto dessa trend, porque, no fim, quando me perguntam o que eu acho chique, a resposta é bem simples:

Eu acho chique uma vida que não precisa parecer bonita para os outros, precisa apenas ser boa para quem vive.