Quem mora em Gramado acaba se acostumando com certas cenas: com os plátanos mudando de cor no outono, com a neblina cobrindo os vales em algumas manhãs, com o cheiro de lenha queimando que começa a aparecer quando os primeiros frios chegam, com as pessoas caminhando mais devagar pelas ruas do centro, principalmente nos finais de tarde de inverno.
Talvez por convivermos com tudo isso desde sempre, às vezes esquecemos que são justamente essas pequenas coisas que fazem tanta gente se apaixonar pela Serra Gaúcha.
Nesta época do ano, a cidade recebe visitantes de todas as partes do Brasil. Muitos chegam para comemorar o Dia dos Namorados, outros aproveitam um final de semana para fugir da rotina e há aqueles que voltam todos os anos porque sentem falta de algo que nem sempre conseguem explicar.
A verdade é que Gramado tem um jeito muito próprio de fazer as pessoas desacelerarem e quando a gente desacelera, começa a perceber coisas que normalmente passam despercebidas.
O frio muda a rotina da cidade
Quem vive na Serra sabe exatamente quando o inverno começa a dar sinais: antes mesmo das temperaturas mais baixas, os cafés ficam mais convidativos, as pessoas passam a comentar sobre a previsão de geada, os restaurantes acendem suas lareiras, os casacos voltam para os cabides da entrada...E sem que ninguém perceba, a cidade muda de ritmo.
O frio faz com que as pessoas procurem lugares para permanecer. Uma mesa de café, um restaurante acolhedor, uma conversa sem pressa, uma taça de vinho dividida entre amigos ou entre quem escolheu passar a vida junto... Talvez seja por isso que tantas histórias importantes acabam acontecendo durante o inverno.
Algumas das melhores lembranças acontecem ao redor da mesa
Quando pensamos nas viagens que marcaram nossas vidas, raramente lembramos apenas dos lugares. Lembramos das pessoas, daquela refeição que durou mais do que o planejado, da sobremesa compartilhada, da conversa que começou em um assunto qualquer e terminou horas depois. Em Gramado, a gastronomia faz parte dessas lembranças.
O fondue, por exemplo, continua sendo um dos programas preferidos de quem visita a cidade, não apenas pela comida, mas porque ele convida as pessoas a permanecerem juntas por mais tempo. O mesmo acontece com um chocolate quente em uma tarde fria ou com uma garrafa de vinho aberta sem nenhuma pressa para terminar.
A beleza está também no caminho
Uma das coisas que mais ouvimos de quem visita a Serra é que aqui até os deslocamentos parecem diferentes. Talvez porque as estradas façam parte da experiência, quem já percorreu a Rota Romântica durante o outono sabe do que estamos falando, os Plátanos formam corredores dourados, a paisagem muda a cada curva. E muitas vezes a vontade é simplesmente diminuir a velocidade para observar.
Aqui na região, existe uma relação muito forte com as estações do ano. A gente aprende desde cedo a perceber quando as araucárias estão carregadas, quando a neblina chega mais cedo ou quando as folhas começam a mudar de cor. São detalhes simples, mas que ajudam a criar a identidade deste lugar.
O que as pessoas levam de Gramado
Depois de muitos anos recebendo visitantes, aprendemos uma coisa curiosa: As pessoas raramente falam apenas sobre os pontos turísticos, elas falam das sensações: do frio, do cheiro da natureza, da educação no trânsito (aqui todos carros param na faixa para ps pedestres atravessarem), do atendimento acolhedor, do fogo aceso em uma noite gelada, da tranquilidade que encontraram aqui.
Talvez seja por isso que tantas delas procurem levar um pouco da Serra para casa! Não como uma lembrança de viagem, mas como uma forma de continuar convivendo com aquilo que viveram durante alguns dias.
Quando a Serra encontra espaço dentro de casa
Aqui na Da Mata, convivemos diariamente com materiais que fazem parte da paisagem da nossa região: Madeiras resgatadas, fibras naturais, cerâmica artesanal.
Peças feitas por pessoas que também vivem na Serra e carregam em seu trabalho a influência deste lugar. Talvez seja por isso que muitos visitantes se identifiquem tanto com o que encontram aqui, porque reconhecem nas peças algo que sentiram durante a viagem: a calma, a simplicidade, o acolhimento, características essas que sempre fizeram parte da vida na Serra Gaúcha e que continuam encantando quem passa por aqui.
Se você estiver em Gramado neste inverno, aproveite para observar esses detalhes, eles costumam aparecer onde menos esperamos: em uma paisagem, em uma conversa, em uma mesa compartilhada ou simplesmente, no silêncio de uma tarde fria cercada pela beleza da Serra.
E quando a viagem termina?
Existe uma cena que conhecemos bem: Depois de alguns dias na Serra, as pessoas voltam para casa cheias de fotos, recomendações de restaurantes e histórias para contar.
Mas, algumas semanas depois, o que costuma permanecer não são os passeios, são os hábitos que a viagem despertou, a vontade de receber mais os amigos, de preparar uma mesa bonita sem precisar de uma ocasião especial, de acender uma vela no final do dia, de reservar um tempo para um café sem olhar o relógio, de criar momentos simples que, na correria da rotina, muitas vezes acabam ficando para depois...
Talvez seja por isso que tantas pessoas se encantem pela vida na Serra, não apenas pela paisagem, mas pelo modo como ela nos lembra da importância desses pequenos rituais.
Aqui na Da Mata, gostamos de pensar que os objetos têm um papel silencioso nisso tudo, uma peça artesanal não muda a rotina de ninguém sozinha, mas pode ajudar a criar cenários onde as coisas importantes acontecem.
Uma mesa com lareira ou champanheira pode se tornar o ponto de encontro da casa em uma noite fria. Uma tábua de servir em madeira natural acompanha aquele vinho aberto sem motivo especial ou uma conversa que se estende mais do que o planejado.
As peças de cerâmica artesanal carregam algo que sempre admiramos na Serra: o valor do feito à mão, do cuidado com os detalhes e do tempo necessário para que cada coisa aconteça no seu ritmo.
Em muitos lares, uma simples luminária ou uma vela artesanal muda completamente a atmosfera de um ambiente ao final do dia. Da mesma forma, os vasos ajudam a trazer para dentro de casa materiais que fazem parte da paisagem e da cultura da nossa região.
E para quem gosta de receber ou simplesmente aprecia a sensação de estar perto do fogo, uma lareira ecológica portátil tem o poder de transformar uma noite comum em um daqueles momentos que acabam ficando na memória.
No fim das contas, uma casa também guarda histórias e muitas delas começam justamente nos detalhes que escolhemos trazer para dentro dela.
